
Quem estava do outro lado da linha era Fábio Justtino. Ele veio com um convite inusitado. Confesso que pensei que fosse trote ou, como chamamos hoje, uma pegadinha. Dizia ele que um grupo de pessoas iria ao CFZ encontrar o Zico e perguntou se eu poderia ir. Como eu poderia negar este “sacrifício” ao meu amigo? Encontrar o maior ídolo esportivo que eu já tive? O cara que é o motivo de eu ser Flamengo? Tipo de “sacrifício” que a gente faz com um sorriso enorme no rosto, feliz como a criança que eu era quando o via jogar.
O negócio era o seguinte: eu tinha que estar, às quinze horas, no posto 12, no Leblon, para encontrar um tal de Moraes. Perguntei como faria isso e ele respondeu meio que com um sorriso de incredulidade: “ora, é só ver um grupo de flamenguistas reunido”.
Saí correndo do centro da cidade e fui para o Leblon. Dito e feito. Um grupo de flamenguistas começava a se formar. Como não podia deixar de ser, todos animados e ansiosos em encontrar o ídolo, o eterno galinho. Foi quando eu conheci o tal Moraes. O cara é uma lenda viva também. Francisco Albertino Moraes é um torcedor das antigas, um dos líderes da Raça Rubro-Negra, que acompanhou o Flamengo em suas viagens, de 1973 a 1993, para todos os lugares do mundo, do Iraque à Líbia, passando pelo Zaire, Arábia Saudita, Kuwait, Japão, Trinidade e Tobago, Marrocos, Bahrein, Gabão, Argélia, Angola, África do Sul, Tunísia, USA, praticamente todos os países da Europa, da América do Sul e Central. Suas aventuras estão no seu site: História de Torcedor. Na seção Opinião, ele também falou sobre o dia de ontem, não deixem de conferir.
Moraes organizou os carros e seguimos viagem. Peguei carona com um novo amigo, Pedro, torcedor apaixonado como eu. Também conosco, um primo do Pedro, que pegamos no caminho, e um casal de baianos, mãe e filho, representantes da torcida FlaBahia, que vieram ao Rio apenas para este encontro. O filho, um pequeno rapaz bem maior que eu; e olha que eu tenho um metro e oitenta e três.
Bom, chegamos ao CFZ e o Moraes começou a organizar o grupo. Éramos, aproximadamente, quarenta pessoas. Ganhamos, cada um de nós, o livro Zico Conta Sua História e fomos encontrar o ídolo. Ele nos recebeu com um sorriso no rosto e uma simpatia gigantesca. O pequeno gigante baiano não segurou a emoção e chorou por estar realizando seu grande sonho de conhecer o Zico. Prontamente, o galinho disse: “Que é isso, cara? O Flamengo é alegria, não precisa chorar não!”. Mas também não perdoa; apareceu por lá um repórter das antigas e Zico mandou a seguinte letra: “Esse aqui é Botafogo, sofreu muito comigo!”.
Zico não é ídolo à toa. Sua qualidade e habilidade, como jogador de futebol, são inegáveis e inquestionáveis, bem como seu profissionalismo. Mas isso não é tudo. Ele é de um carinho enorme com toda a sua torcida. Chegamos e ele cumprimentou cada pessoa, apertou mãos, distribuiu abraços e beijos. Autografou tudo o que pediram que autografasse, bonés, fotos, pôsteres, revistas, livros, camisas e mais camisas, inclusive duas de dois garotos tricolores que apareceram por lá. Tirou centenas de fotos com todos os que estavam presentes. Em momento algum, demonstrou cansaço, desgosto, enfado ou irritação. Pelo contrário, esbanjou simpatia e atenção. Foram duas horas de pura magia ao lado de um ídolo inesquecível. Vale lembrar que a FlaTV estava por lá e registrou o encontro.
Ser Flamengo é algo indescritível. Ainda estou com um sorriso largo no rosto. Essa emoção nenhum arcoiriano sente igual. É uma paixão que eleva o coração rubro-negro, fazendo pulsar ainda mais forte. Não somos torcedores, somos cidadãos da nação rubro-negra. E o galinho personifica todo esse amor que sentimos, ainda hoje; basta observar os olhos dos meninos que treinavam no CFZ e, após o treino, vieram, também, buscar autógrafos do craque em seus uniformes e chuteiras.
Foi uma tarde inesquecível, mágica. Um presente inesperado que ganhei e que vou levar comigo o resto da minha vida. Em suma, ser Flamengo e ter um ídolo como Zico é a expressão maior da felicidade!