O psicoterapeuta disse que sou hiperativo. A criação deste blog surgiu pouco depois de ser assim diagnosticado. Segundo o site especialista Hiperatividade (que já existia antes do meu blog, mas eu não sabia!), os portadores deste distúrbio são freqüentemente rotulados de "problemáticos", "desmotivados", "avoados", "malcriados", "indisciplinados", "irresponsáveis" ou, até mesmo, "pouco inteligentes". Mas garante que "criativo, trabalhador, energético, caloroso, inventivo, leal, sensível, confiante, divertido, observador, prático" são adjetivos que descrevem muito melhor essas pessoas. Eu, particularmente, creio que sou uma mistura disso tudo aí. Cheio de muitas idéias, muitos sonhos e muitos projetos. Muita vontade e muito trabalho. Muitas vertentes e muitas atividades. Sou editor-adjunto do Crônicas Cariocas. Não deixem de visitar minhas colunas: Cinematógrafo; Crônicas; Poesias; e HQs. Ah! Visitem o Magia Rubro Negra , site de apaixonados pelo Mengão, para o qual tive o prazer de ser convidado a fazer parte da especial equipe!!!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Hoje

Hoje, acordei meio “deprê”. Não sei explicar o porquê. Creio que aquela história de “ano novo, vida nova” não me comoveu desta vez. Aquela esperança de que tudo vai mudar, a alegria de um novo começo e as promessas de acertar onde outrora errei parecem tão vazias, tão sem sentido. Os erros perseguem-me e me levam a cometer novos erros. A vida parece uma sucessão de equívocos. Tudo é mais do mesmo. A mesma merda de sempre. Aquele trabalho que, apesar de pagar em dia, não rende o suficiente e não é nem de longe o que queria ou gostaria de fazer. Os sonhos, pelos quais batalho tanto, nunca se realizam, por motivos os mais diversos e esdrúxulos. A dificuldade em saber lidar com as pessoas que nos cercam: mulher; filhos; pais; irmãos; afins; amigos; colegas de trabalho; e, até mesmo, desconhecidos com os quais temos algum contato em algum supermercado, banco ou padaria.
É tão fácil dar conselhos, dizer às pessoas onde erraram e o que devem fazer para melhorar. Olhar de fora e dizer: “eu faria isso” ou “escute o que estou dizendo”; como se fosse especialista em tudo. Por que, então, é tão difícil seguir os próprios conselhos e acertar o caminho ou mesmo decidir qual é o melhor? Por que sempre parece que escolhi a estrada errada e que nada do que faço é certo? Por que esta insatisfação perene, este sentimento de desperdício de tantos anos? É tudo tão frustrante e angustiante. Uma sensação de impotência diante das vicissitudes.
Hoje, mais uma vez, estou vendo as horas passarem, como ontem, apenas esperando mais um dia acabar igual a todos os outros: desperdiçado. Os amigos dizem para ter fé, seguir tentando, que sou inteligente e vou conseguir atingir meus objetivos. Entretanto, sinto-me como o Brasil: o país do futuro; o futuro que nunca chega. A diferença é que o Brasil tem mais de quinhentos anos e terá muitos mais. Eu não. Se a média de vida em meu país é de setenta e dois anos, estou em contagem regressiva, já na descendente da ladeira da vida. O único futuro certo é o fim do caminho.
Hoje, uma querida amiga disse-me que não é de um dia para o outro que as coisas se resolvem, que devo fazer as coisas tomarem um novo rumo, que devo dizer para mim mesmo que não estou feliz e que a vida é uma só e que não preciso submeter-me a certas coisas se não preciso delas. A grande questão é que não sei o que fazer para mudar a direção, que eu já sei que não estou feliz e que a vida é única e que apenas me submeto a certas coisas porque é necessário. Seria fácil se isso, se aquilo ou se assim fosse. Tudo, todavia, não passa de “se”. Conjecturas sem fim plenas de incertezas.
Hoje, acordei com vontade de fugir. Vontade de ir para outro lugar, outra cidade, outro estado ou mesmo outro país. Começar tudo de novo, longe de tudo e de todos. Longe dessa vida desmedida, depreciada, de pessoas hipócritas, mexeriqueiras, mal-amadas e malcomidas. Percebi, então, que era um sentimento covarde e mesquinho. Que fariam aqueles que gostam de mim? Pior, que fariam os que dependem de mim? Meus meniños, tão novinhos ainda. Inocentes e incapazes de entender o que mesmo eu não entendo. Desisti de fugir, mas não encontrei alento. Nada que me dê ânimo. É viver por viver, sem esperança, sem fé e sem lenitivo; assim, depressivo.

Fabrício Mohaupt

Um comentário:

Rebeca disse...

Querido, não se sinta assim.
Nós ficamos frustados quando oq desejamos não acontece. Quando fica no SE... Mas nem tudo que desejamos é bom para nós ou é de nosso merecimento. Às vezes oq nos espera é tão melhor e ficamos reclamando do menor que não aconteceu.
O problema é que colocamos por demais as espectativas nas coisas e achamos que tudo deve acontecer conforme esperamos. Só que existem outros fatores nas circunstâncias que não dependem de nós. Não devemos colocar as nossas vidas nas mãos dos nossos projetos. Ao contrário, nós é quem devemos dominá-los.
Quando não acontece de um jeito, temos que tentar do outro. Tentar e tentar e tentar. Não podemos esquecer do objetivo maior de estarmos aqui na Terra: nos melhorarmos. Só viemos para isso: evoluir.
Existem pessoas que dependem de vc. Não só do sustento que vc as dá, mas da sua alegria, do seu carinho. Pense nelas e vc vai ver que há muitos motivos para se estar vivo.
Só acordar e ouvir um "Mamãe, faz leite!" já me diz oq eu vim fazer! Eu nasci para ser feliz! Eu sou feliz! E é isso aí!

"Oh, if there's one thing I hang onto
That gets me thru the night
I ain't gonna do what I don't want to
I'm gonna live my life
Shining like a diamond, rolling with the dice
Standing on the ledge, I'll show the wind how to fly
When the world gets in my face
I say...
Have a nice day!"

Melhoras para vc, meu lindo!